Orange Is The New Black de Piper Kerman

The animals, the animals
Trapped, trapped, trapped ’till the cage is full…

OTNB★★

Orange Is The New Black é o livro de memórias da Piper Kerman sobre o seu tempo passado em uma prisão feminina nos Estados Unidos. Piper não é o estereótipo comum que você imaginaria como uma prisioneira. Ela é uma mulher de classe média, graduada, com um namorado e uma família que a ama, mas um erro de juventude que a levou a carregar uma mala de dinheiro de drogas dez anos antes.

No primeiro capítulo, a autora conta como conheceu Nora Jansen, uma das integrantes do círculo social lésbico na casa dos trinta anos com quem Piper mantinha amizade. Ela conta que as duas acabaram se aproximando e ela não resistiu à sedução e determinação de Nora, o que a levou também a se envolver com os seus negócios ilícitos. Porém, depois da experiência e do medo que ela passou viajando levando dinheiro ilegal, Piper voltou para os Estados Unidos e tentou deixar esse passado criminoso para trás. O que não acabou dando muito certo, já que eventualmente o sistema a alcançou e esse é o relato que Piper faz nos próximos capítulos, contando sobre o seu caso na justiça e como foi a sua vida nesses quinze meses de prisão.

Orange-is-the-new-BlackA autora faz uma narração interessante das suas experiências dentro da prisão em capítulos curtos, o que torna a leitura bastante rápida. Contudo, eu assisto à série da Netflix e não tinha como não ler e traçar comparações. Embora a série tenha começado focando na Piper, gradualmente as outras personagens acabaram se desenvolvendo mais. E isso é uma das melhores (senão a melhor) características do seriado, a gente se apega às outras personagens, às suas histórias e ao futuro de cada uma. Mas pelo livro ter sido escrito pela Piper e nós só sabermos o que acontece através da perspectiva realista dela, não havia como saber muito sobre as outras mulheres da prisão além do que era contado ou visto pela autora, o que acaba tirando um pouco da graça do livro. Isso, é claro, se você também assistiu à série primeiro. Muita gente deve ter lido o livro primeiro e acaba tendo outra opinião. De qualquer modo, essa foi a primeira vez que eu posso dizer que gosto mais da tradução/adaptação da TV do que do livro, por isso que dei a classificação de três estrelas apenas também.

Ah, se você quiser saber um pouquinho mais sobre a discussão entre Tradução vs. Adaptação e Livro vs. Filme, leiam esse post! Faz bastante tempo que escrevi e hoje provavelmente escreveria de uma maneira completamente diferente, mas é um começo para quem quer entender mais sobre o assunto.

The Au Pairs de Melissa De La Cruz

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Sim, uma estrela apenas. Primeira vez que isso acontece.

A premissa do livro é interessante:  três garotas bem diferentes são contratadas para trabalhar como Au Pairs (babás, para quem não conhece o termo) nos Hamptons. Eliza era de uma família rica que faliu e teve que se mudar dos Hamptons para uma cidadezinha interiorana, ela quer usar esse emprego para voltar à vida agitada das festas e amigos. Mara leva uma vida normal de garota de classe média e vai atrás do emprego porque com o salário quer juntar dinheiro para pagar a faculdade e comprar um carro. E Jacqui é uma brasileira que se apaixonou por Luca, um menino dos Hamptons que passou as férias no Brasil e foi embora sem dizer nada. Jacqui aceita o emprego porque quer reencontrar Luca e viver feliz para sempre, basicamente é isso. Até agora eu não entendi se ela é de São Paulo ou do Rio de Janeiro, não sei se a autora sabe qual é a diferença dos dois. Sem contar que a personagem ás vezes soltava umas palavras em português, o que estava indo mais ou menos bem até ela falar “Bruha“, acho que ela quis dizer “Bruxa” mas faltou um pouco de Google Tradutor na vida da Melissa De La Cruz.

As garotas então viajam para os Hamptons e percebem que têm personalidades muito diferentes. Ao longo da história e conforme os problemas vão surgindo, elas acabam se aproximando e amadurecendo (bem pouco). Eu sei que peguei esse livro para ler uma história leve e superficial, mas me decepcionei com a falta de pesquisa da autora, com a falta de maturidade das meninas e com as inconsistências do enredo. Sei que eu não sou o público alvo da história, tenho 24 anos e esse livro foi provavelmente escrito para pré-adolescentes, mas não sei se gostaria que uma pré-adolescente lesse isso. Até Gossip Girl é melhor. Outro fator que me incomodou muito é que eu tenho uma amiga que fez Au Pair e eu sei como, primeiro, é difícil acertar a papelada para viajar para outros país e trabalhar como Au Pair; segundo, existem várias regras para viver na casa de uma família trabalhando (e elas não obedeceram nenhuma, além de serem menores de idade, o que eu nem sei se é autorizado); e terceiro, com exceção da Mara, as outras garotas praticamente não davam a mínima para as crianças. Eu achei que no final as meninas estariam mais próximas das crianças, mesmo que elas saíssem impunes de todos os erros que cometeram, que elas pelo menos aprendessem com eles, mas não é essa a impressão que temos no final. Por fim, é por isso que não gostei, não recomendo e não pretendo ler a continuação.

Nota: Apesar de ter odiado essa história, adoro Witches of East End (traduzido como As Feiticeiras de East End), tanto o livro como a série. Provavelmente porque esse livro foi escrito para adultos, e não adolescentes.witches-east-end

FanGirl de Rainbow Rowell

Review of Fangirl by Rainbow Rowell★★★★

Já faz algum tempo que vejo blogueiras que sigo postando fotos cheias de amor com esse livro e suas diferentes edições. Resolvi que era hora de aproveitar as bibliotecas estadunidenses para pôr minhas leituras YA (Young Adult) em dia e emprestei o FanGirl pra saber qual era o alvoroço.

Basicamente, essa é a história de Cath, uma garota que acaba de começar a faculdade de oficina literária (ou creative writing, que não é comum no Brasil) e está se sentindo abandonada porque sua irmã gêmea, Wren, deseja ter mais independência. Cath então tem que dividir o quarto da faculdade com outra garota, Raegan, e o namorado dela, Levi, que parece estar sempre presente. Cath é antissocial no mundo real, mas no mundo virtual ela é Magicath, uma autora de fanfiction bastante famosa e de onde temos a razão para o título do livro.

A história é boa e não é, na minha opinião. O legal é que Rowell não focou somente no fato da Cath ser antissocial e isso ser o fim do mundo (o que não é), mas existiam outros problemas, como a faculdade em si; a irmã se tornando cada vez mais distante e exagerando nas festas; o fato da mãe tê-las abandonado quando crianças; e as consequências disso tudo no pai das meninas. Contudo, entre os capítulos, a autora inseriu partes da fanfiction que a Cath escreve e as partes reais de Simon Snow, que é uma série de livros sobre um bruxo e que se assemelha muito ao nosso querido Harry Potter. O que faz todo sentido já que eu também costumava ler fanfiction na época de HP. O problema é que eu não estava interessada nessas histórias paralelas que a autora inseriu, eu queria saber logo o que aconteceria com a Cath e os seus dramas pessoais com relação ao pai, à irmã e ao Levi. Tive a impressão de que essas partes (pelo menos as mais extensas) acabaram deixando o livro longo demais sem necessidade, por isso que eu dei 4 estrelas.

Ah, só pra destacar, na fanfiction da Cath, os personagens principais são gays, o que eu achei ótimo e me fez muitas vezes imaginar o Harry e o Draco Malfoy juntos.

Eu recomendo essa leitura sim, apesar de ter reclamado da extensão. E ainda acrescento que se você decidir ler mais Rainbow Rowell, leiam Eleanor & Park!!! Ainda tenho que fazer uma resenha desse, mas já adianto que esse livro ganha 5 estrelas fácil.

Bad Feminist de Roxane Gay (sem tradução no Brasil)

bad-feminist-book-cover★★★★

Feministas. Definição: mulheres que preferem o mesmo sexo, que se acham superiores aos homens, que não usam sutiã e não se depilam. Certo? No começo do movimento, talvez isso poderia ter algum tipo de razão, já que sem um grande choque, as coisas teriam continuado iguais para nós. Vamos relembrar que as mulheres ganharam o direito de votar em 1933 no Brasil e em 1919 nos Estados Unidos, não faz tanto tempo assim. E um pouco antes disso, havia códigos de conduta de como uma boa esposa e mãe deveria se comportar, elas não tinham o direito de herdar os bens depois do falecimento do pai (assistam/leiam Orgulho e Preconceito) e seria um absurdo considerar uma mulher de boa reputação indo para a universidade. Contudo, o pior de tudo isso, é que a maioria das pessoas ainda tem uma ideia completamente errônea e pejorativa de uma feminista. Ai de uma mulher ou homem falar que eles são a favor das ideias por trás do feminismo. E daí temos Roxane Gay, nesse livro precioso, para nos ajudar a desconstruir e reconstruir a definição de uma feminista.

Bad Feminist é uma coleção de artigos divididos em seções: [Introdução]; [Sobre Mim]; [Gênero e Sexualidade]; [Raça e Entretenimento]; [Política, Gênero e Raça] e [De Volta Sobre Mim]. A autora se diz ser uma má feminista porque historicamente, ela não se identifica com a bandeira que o feminismo levantou, já que esse movimento parecia favorecer apenas mulheres brancas, heterossexuais e de classe média. Porém, um erro não justifica o outro. Não é preciso existir apenas um tipo de feminismo, e se você não consegue se identificar com um modelo ou pessoa, então lidere ao dar o exemplo. Você não precisa ser perfeita ou perfeito.

girls_serieRoxane Gay traça comparações entre eventos atuais e a cultura popular com a imagem da mulher. Filmes como Django Livre e Histórias Cruzadas, os livros 50 Tons de Cinza, Jogos Vorazes e Como Ser Mulher e os seriados Girls e Orange Is The New Black são alguns dos exemplos de histórias das quais Gay levanta questões a respeito e relata suas opiniões. Haviam questões que eu nunca havia dado muita importância e que me fizeram refletir, o que não significa concordar com tudo. Acredito que concordar com tudo seria ir exatamente contra o que a própria Roxane Gay defende no começo do livro, no pluralismo do feminismo. Resumo Geral: Recomendo!

Resenha de Chocolate; autora: Joanne Harris (e as teorias sobre a história)

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Livro lido para o Book Club da biblioteca de Warren – R.I.

Os ventos da mudança são os grandes desencadeadores na história de Vianne Rocher. Ela e sua filha, Anouk Rocher, decidem se instalar em uma cidadezinha no interior da França que, por sinal, parece estar enclausurada no tempo. Vianne sempre gostou de cozinhar e foi ensinada por sua mãe sobre magia, juntando as duas artes na loja de chocolates que ela abre no local. A loja parecer estar fadada ao fracasso desde o começo, em primeiro lugar porque ali não há praticamente mais nada além de uma padaria e um mercadinho, e em segundo porque toda essa magia e encanto acabam por incomodar o mais importante dos moradores de Lansquenet-sous-Tannes: Francis Reynaud, o padre.

Reynaud é o único outro personagem além de Vianne a quem temos acesso aos pensamentos, ele é a voz da razão e moralidade que guia a pequena cidade. Desde o momento em que descobre que Vianne não frequenta a igreja e que nunca foi casada, os dois se identificam como rivais. Vianne conquista alguns dos moradores, como Guillaume Blerot, um adorável senhor que vive com seu cãozinho para cima e para baixo, Armande Voizin, uma senhora que também parece ter algum tipo de poder sobrenatural e deseja voltar a ter contato com seu neto, e Josephine Muscat, uma esposa que sofre de violência doméstica e que será a personagem mais influenciada pela chegada de Vianne.

Eu devo avisar que se você assistiu ao filme (com Johnny Depp), então esqueça praticamente tudo que viu lá. O filme parece ter sido uma versão Disney de Chocolate, os personagens do livro são bem mais complexos e há muitas teorias que podem ser levantadas a respeito da história. Para começar, no filme, não é o padre o grande rival de Vianne, mas sim o prefeito. A magia de Vianne e sua mãe foi completamente modificada. Sem contar pequenos e grandes detalhes dos outros personagens. Portanto, se você gosta de histórias das quais não parece que há muito nas entrelinhas, mas na verdade há, então essa deve ser a sua escolha para esse mês, acredite em mim.

(SPOILER)Bom, se você ainda quer ler esse livro, sugiro que pare de ler essa resenha e volte depois, porque eu vou citar algumas das discussões que eu e as leitoras do Book Club tivemos a respeito das muitas coisas deixadas no ar pela autora.

  • Primeira: A magia é real ou não? Para mim, sim. Armande consegue ver o coelho imaginário da Anouk, o que não é algo comum. Além disso, ela também vê a magia de Vianne e parece reconhecê-la de outra época (o que leva a outra teoria).
  • Segunda: A morte da mãe de Vianne poderia ter sido evitada? Talvez. O que parece é que Vianne vive com uma culpa de que ela poderia ter evitado a morte da mãe pelo táxi, mas que ela também não queria vê-la sofrer pelo câncer, que já era algo que iria matar a mãe de uma forma ou outra. Isso é reforçado pela própria sugestão que ela faz a Guillaume, para deixar seu cachorro morrer com dignidade ainda, e por aceitar a escolha de Armande de viver seus últimos tempos como ela deseja, comendo chocolates mesmo sendo diabética, e realizando a sua festa de aniversário.
  • Terceira: Estaria Vianne realmente grávida? Para mim, sem sombra de dúvida. E essa foi uma das coisas mais esquisitas no final do livro. Achei que Roux teve um papel simplesmente medonho na vida de Vianne (e não entendi como ela pôde ter feito isso com a pobre da Josephine). E o fato de Armande também saber sobre essa gravidez antes dela acontecer colabora para suportar outras suspeitas levantadas.
  • Quarta: Vianne foi criada pela mãe biológica? Essa é uma das questões mais delicadas do livro e só é citada no final. A mãe de Vianne mostra alguns recortes de notícias de jornal antigos sobre sequestros de crianças, em especial sobre um roubo de uma menina quando era ainda bebê. Vianne parece suspeitar que sua mãe a sequestrou e a criou como filha, o que também explicaria o medo mortal que a mãe sentia de perdê-la. Mais que tudo isso, será que Armande era a mãe biológica de Vianne? Isso explicaria o fato delas parecerem ter se reconhecido no começo do livro, sem contar que as duas tinham poderes no mínimo diferentes.
  • Quinta: Seria o padre com quem Reynaud se “confessava” o seu pai biológico? Reynaud acaba por revelar em um de seus monólogos que ele viu o padre e sua mãe juntos. Depois disso, os pais dele se separaram e ele foi mandado para estudar fora. Então há a possibilidade do caso do padre e da mãe estar acontecendo há muito mais tempo, sendo que isso também seria uma explicação para o món pére ter perdoado Reynaud por ser o culpado pelo incêndio de anos atrás.

Não disse que o livro era bem mais complexo? Vocês tiveram opiniões diferentes da minha? Encontraram mais coisas deixadas no ar? Compartilhem!

Minha Cirurgia no Hospital do Câncer: Parte 2

Fazem dois meses que minha cirurgia aconteceu. A biópsia saiu e era o que o médico suspeitava mesmo, o que eu tinha é conhecido como Tumor de Frantz. Esse é um tumor raro, mas comum em meninas da minha faixa etária (20 e poucos anos); ele fica normalmente na cauda do pâncreas e pode ir crescendo sem apresentar sintoma algum. Se não descoberto cedo, há a chance de ocorrer metástase e ele virar um tumor maligno, mas por muita sorte, esse não foi o meu caso. O tratamento é a cirurgia para remoção do tumor e biópsia. De agora em diante, eu tenho que fazer o acompanhamento com um ultrassom a cada 6 meses, pois ainda há a chance dele retornar, mas o médico não acha que esse será o meu caso. E eu também espero que não seja.
Como dito no post anterior, na cirurgia, foi removido também o meu baço. Então agora eu tenho que tomar a vacina de gripe anual e uma outra dose da anti-pneumocócica em 5 anos. De resto, eu tenho seguido vida normal.

Não sei se há muito mais o que dizer sobre esse fato da minha vida. Eu fiz esses posts aqui no blog com esperanças de que se alguma outra menina algum dia tiver que fazer alguma cirurgia similar saber o que esperar. Então aqui vai o meu recado: tenha paciência! Sim, tudo vai parecer o fim do mundo, vai doer e você vai ter a impressão de que sua vida nunca mais vai ser a mesma. Mas esse não é o fim do mundo, a dor é só nos primeiros dias e depois você nem se lembra direito dela, e a sua vida nunca mais vai ser a mesma, vai ser melhor!! Você vai apreciar coisas pequenas, como poder tomar banho sozinha, se levantar da cama sem ajuda e comer uma pratada da comida da sua mãe sem medo de ficar inchada. E tudo isso dentro de um mês, parece que não, mas passa muito rápido.
Outra coisa, não pesquise na internet muito a respeito do que você pode ter ou tem. Eu só pesquisei o básico, como os cuidados pós-cirúrgicos e o principal sobre o tumor de Frantz. Se você pesquisa demais, acaba vendo problemas que outras pessoas tiveram, mas que não serão necessariamente o seu caso. Não sofra por antecipação! E acho que é isso aí, se tiver quaisquer perguntas, escreve aí nos comentários que eu vou ficar feliz em poder ajudar (se eu souber).

Alimente-se de forma saudável, aproveite todos os momentos e apoie-se na sua família e nos melhores amigos, eles vão te dar a força que você precisa pra enfrentar qualquer coisa!

Essa foto foi tirada na semana que minha família conseguiu se reunir pela primeira vez (alguns moram nos EUA e outros no Brasil) e foi justamente quando nós descobrimos do tumor. As fotos tiveram um significado ainda maior para nós e foi uma lembrança perfeita. Detalhe: eu tinha tomado três vacinas nesse dia e só conseguia sentar com um lado da bunda sem doer haha

Essa foto foi tirada na semana que minha família conseguiu se reunir pela primeira vez (alguns moram nos EUA e outros no Brasil) e foi justamente quando nós descobrimos sobre a gravidade do meu caso. As fotos tiveram um significado ainda maior para nós e foi uma lembrança perfeita. Detalhe: eu tinha tomado três vacinas nesse dia e só conseguia sentar com um lado da bunda sem doer haha

Minha Cirurgia no Hospital do Câncer: Parte 1

Pra quem não sabe, eu fiz uma cirurgia no Hospital do Câncer no mês passado, dia 19 de março. O que eu tinha ainda não foi confirmado porque ainda não saiu a biópsia, mas acredita-se que é um tumor benigno, então espero que o meu susto tenha virado história e agora é só seguir a vida normalmente. Eu sei que tem bastante conteúdo na internet sobre esse assunto, mas mesmo assim achei que seria interessante compartilhar o que aconteceu comigo. Foi tudo muito rápido e acreditem se quiser, tudo realizado pelo sus de Maringá: exames, consultas, cirurgia e internação.

Esse post ficou bem grandinho, mas separei os parágrafos por episódios, acho que assim facilitará a leitura.

Episódio 1: No ano passado, eu estava sentindo dor nas costas por estar trabalhando muito tempo sentada e em más posições (confesso), mas na época, eu não estava no Brasil e não tinha como ir atrás de médico pra ver se era algo sério. Quando voltei para Maringá, eu marquei uma clínica geral que pediu alguns raio-x da coluna, só pra garantir que não tinha nada, já que a dor já havia passado. Bom, na coluna não havia nada, mas uma mancha enorme no que parecia ser meu rim apareceu. A Dra., cumprindo exatamente com os seus deveres (coisa que muitos médicos não fazem) resolveu investigar a tal mancha. Foram mais raios-x, exames de sangue, de urina e ultrassom. Meus exames de sangue e urina estavam todos normais, no meu ultrassom não havia nada (e o médico ainda olhou todos os órgãos na região do abdômen) e o médico intérprete do raio-x também não viu nada demais, dando o resultado como sem anomalias. Viu como tem médico que quando não quer ver nada, não vê? E isso porque foram dois diferentes que realizaram o raio-x e o ultrassom. Toda tranquila e feliz, achando que poderia continuar com meus planos, voltei para a médica, mas ao colocar o raio-x no negatoscópio (aquele aparelho de luz) ela viu a bendita mancha lá (vamos chamar de bendita porque né?). E assim, o episódio com a clínica geral havia terminado, eu precisava de uma tomografia e, para isso, precisava passar com o urologista.

Episódio 2: E lá fui eu para a tomografia. A criaturinha que tentou achar minha veia no braço direito a estourou, mas mal sabia eu que essa seria apenas a primeira das minhas veias estouradas. Bom, exame feito, eu vi o resultado primeiro pela internet. Eis que as palavras: neoplasia cística do pâncreas e tumor sólido pseudopapilar surgiram, o que para um leigo (eu), isso é desesperador. Se a cirurgia tivesse que ser feita por meio particular, eu precisaria de mais exames, internação, provavelmente um tempo na UTI, cuidados pré e pós-operatórios, etc. Essa brincadeira toda não sairia por menos de R$ 30.000,00. Dinheiro que eu nem consigo imaginar ter. Mas o urologista viu a tomografia e na hora me encaminhou para o Hospital do Câncer. E se não fosse pelas funcionárias do postinho eu não teria conseguido ser tratada pelo HC, burocracia é fogo! Mas, enfim, agora vem o terceiro episódio da minha novela particular.

Episódio 3: No HC. Foram três horas de espera pra ser atendida pelo oncologista. O ar condicionado não estava conseguindo dar conta da quantidade de pessoas ali dentro, e a falta de respeito de quem está ali esperando também é demais! Sim, estava quente; sim, nós estávamos esperando há muitas horas, mas conversar alto e atrapalhar os pacientes que estão ali internados ou em quimioterapia, ou as próprias funcionárias da recepção não é a solução. Garanto pra vocês que quem está ali dentro do hospital faz o possível e impossível pra que as coisas funcionem! Respeite-os, leve um livro, cruzada, caça-palavras ou converse baixo; se possível, não leve crianças, aquele não é ambiente pra elas mesmo, ou se for preciso levá-las, deixe-as levar coisas pra se distraírem. Gente, isso é bom senso! Eu também já fui criança e sei como essas coisas são chatas, mas minha mãe sempre cuidou pra que eu ficasse distraída ou que ficasse quieta. Ok. Pequeno desabafo. Fui chamada pra ser atendida e o médico já falou na lata: “Vamos retirar por cirurgia”. Acontece que a biópsia (pra ter certeza da natureza do cisto) é a própria cirurgia e o meu cisto tinha 6,5 cm por 5,8 cm. Era uma pequena laranja alojada no meu pâncreas, empurrando o estômago e com chances de aumentar. A cirurgia em si também não foi brincadeira. Era preciso remover o baço (órgão pequeno que ajuda na defesa corpo) e para isso, eu tive que tomar uma vacina pneumônica e outras foram adiantadas para que eu não corresse riscos. Tomarei obrigatoriamente a vacina da gripe anual pelo resto da vida, mas em comparação com ter esse cisto removido de mim, esse é um preço muito pequeno a se pagar.

Episódio 4: A cirurgia. Dois dias apenas foram necessários para a Secretaria da Saúde aprovar a cirurgia e em um intervalo de duas semanas entre a primeira e a segunda consulta no HC, a data já foi marcada. Eu fui internada no dia anterior à cirurgia, 18 de março, e precisei fazer uma lavagem estomacal. Super desagradável, mas não é o fim do mundo. Passei a noite nervosa e com muito medo. No outro dia começou o drama pra achar veia, no total de 4 dias que eu fiquei internada foram 12 furadas e umas quatro veias estouradas pelo menos, no final, minha mão direita ficou super inchada e até hoje eu sinto uma “fisgada” se eu a estico demais. A cirurgia foi às 14 hrs e eu não via a hora de ser anestesiada. Tudo passou, eu só lembro de retomar consciência mesmo no outro dia. Depois, foram alguns dias bem difíceis, eu tinha muita agonia da agulha na minha veia e do dreno. O corte na minha barriga ficou bem maior do que o médico achava que seria, mas para mim, isso é o de menos. Por um golpe de sorte, eu tinha ficado na enfermaria dos planos de saúde que é no andar de cima, mas no penúltimo dia que eu fiquei no hospital, um leito na enfermaria do sus vagou e eu fui transferida para lá. Não posso dizer que era dos piores, mas sem dúvida há uma diferença gritante entre os dois lugares. Minha mãe e eu passamos a noite ouvindo pessoas passando mal e chorando, havia três camas e um banheiro, que também era muito diferente do andar de cima. Foi um pesadelo ter sido transferida pra lá, mas por bondade/misericórdia ou sei lá o quê, o médico me deu alta no domingo, dia 22 de março. Desde então, eu tenho me recuperado em casa, mas deixarei os eventos que se seguiram para um próximo post.